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bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

A rádio

AlFernandes, 31.03.20

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Quem se lembra de ouvir rádio nos anos 80? Eu lembro-me. Mas ainda me lembro melhor de quando fazia. Não havia computadores para ajudar. As notícias saiam no telex e eram trabalhadas na máquina de escrever. Eu combinava a escola, o desporto e a rádio ao fim de semana. Tinha dois programas ao fim de semana, para além de assegurar a informação. Nesta altura era quase tudo analógico, pouco de digital. Não havia computadores para facilitar o caminho. Eu morava em Faro, e tinha de apanhar o primeiro autocarro da manhã para assegurar o primeiro noticiário. Depois, fazia o que se faz com os pc's ou desktop. Punha a máquina de escrever na mão, e para não perder tempo ia para o café Olho d'água bater nas teclas enquanto comia um cachorro e preparava o próximo noticiário o das 13 horas. Desde já agradeço ao Francisco Gouveia e à Fernanda por me deixarem monopolizar uma mesa e fazer imenso barulho a teclar. Quase que consigo ouvir os pensamentos das pessoas: grande maluca, anda com a máquina atrás... Longe de pensar que hoje é super banal faze-lo com os desktop. Nesta e noutras coisas estava á frente.

Fui sempre continuando a fazer rádio, até ha pouco tempo atrás. Agora podes fazer tudo em casa e depois mandar para a rádio para ir para o ar. Muito prático, mas com um pouco menos de adrenlina.

Tenho outros momentos radiofónicos que gostava de partilhar. Mas hoje, voltei para o trabalho e não me restou muito tempo para poder construir um bocadinho mais estruturado. Tenho mais uns bocadinhos interessantes que gostava de partilhar. Ficam para depois.

Agora vou por o sono em dia, porque hoje não dormi quatro horas. Até.

O elefante branco

AlFernandes, 30.03.20

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Ai o elefante branco. O meu irmão fazia coleção de elefantes. Acho que nunca chegou a contar quantos tinha, mas certamente umas valentes centenas. Ele adorava elefantes pelo que para ele representavam. Certamente um animal forte, intiligente, pachorrento e com paciência, digno de ser o rei da selva, entre outras qualiadades que aqui não vou enumerar.

Este bocadinho de vida que hoje vou contar remonta ao verão de 1975, tinha eu quase cinco anos e estava em férias do colégio. O quarto do meu irmão sempre me fascinou. Fosse pelos livros, discos, a máquina de escrever que eu adorava, e o quarto em si. Era bem maior que o meu e estava cheio de elefantes por todo o lado. Já não me recordo quem lhe ofereceu um elefante branco, de loiça, com a tromba para cima e um aspeto imponente. Era o preferido dele e meu também. Sempre que me conseguia esgueirar para o seu quarto lá ia eu fazer "festas" no elefante. Até que houve um dia que...caiu e partiu-se.

Na casa dos meus pais há um cantinho entre a casa de banho de serviço da cozinha e a dispensa. Esse cantinho tinha sido designado pelo cantinho dos castigos. Nunca tinha sido utilizado até ao fatídico dia em que era uma vez um elefante branco especial. Mas não pensem que foi a minha mãe, pai ou mano a mandar-me para lá. Não. Fui sózinha porque achei que tinha feito uma grande asneira.  A minha mãe quando descobriu o que acontecera e me viu no cantinho nada me disse. Quando o mano chegou a casa...não teve coragem de se zangar, apesar da situação. Chamou-me à atenção para o que tinha feito, com uma calma digna de um elefante, e retirou-me do cantinho do castigo. Esse cantinho nunca mais foi utilizado (felizmente), e eu nunca mais mexi nos elefantes do mano. Acho que ainda hoje, quando entro numa loja e vejo elefantes à venda, só olho, nem lhes toco.

Ás vezes fecho os olhos e consigo ter a imagem do quarto do mano cheio de elefantes, todo desarrumado com papéis por todo o lado.

Até.

Para onde foram?

AlFernandes, 29.03.20

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Sim. Ou não. Não sei para onde foram os meus 5 kg. Numa altura em que muitas pessoas se queixam que estão a engordar queixo-me do contrário.

Na realidade nunca fui gorda, até porque a minha estrutura corporal é nórdica, nada típica portuguesa, apesar de não ser loira nem ter olhos azuis e muito menos um metro e oitenta de altura.

E agora como é que vou recuperar peso? Não faço a mínima. Eu como! Gostava que vitaminas e suplementos alimentares ajudassem. Mas o que aqui manda é a cabeça. Sempre foi assim: cada vez que algo fora do comum vem alterar a minha vidinha despreocupada, lá se vão os quilos. Resta-me saber para onde.

Já pensei em dizer ao meu cão para me ajudar a encontrar, mas o Rikiki não tem perfil para cão polícia. Se os quilos tivessem um cheiro agradável para o seu faro...mas não. Ainda por cima só dá para os ver quando fazem parte de mim. Assim que saiem tornam-se invisiveis. Parece que vestem a capa do Harry Potter e puff!

Peço que se alguém tiver a capacidade de ver o invisivel que os tente encontrar. Não deve ser muito difícil porque têm o meu nome inscrito de certeza. Já agora a quem encontrar estes cinco: devolvam por favor. Devem estar acompanhados pelos outros quatro que perdi há mais tempo.

Até.

O tanque

AlFernandes, 28.03.20

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Tenho saudades de lavar roupa à mão num tanque. Este que está na foto é uma versão em ponto pequeno do tanque que a minha mãe tem em casa. Era o tanque com que eu brincava quando era pequena. A minha mãe lavava no grande e eu no pequeno. E muita roupa era lá lavada. Apesar de desde 1970 que a minha mãe tem máquina de lavar roupa, tenho dúvidas sobre quem mais lavava. Se a mãe ou a máquina. Pensando bem, só as peças grandes é que iam à máquina. A minha bata do colégio era lavada à mão e estava sempre branquinha, branquinha. As nódoas das toalhas, camisas do pai e etc, desapareciam nas mãos da mãe como que por magia. Recordo-me que a roupa com nódoas ficava por vezes ao sol, com sabão e só depois era lavada...e o cheiro! Tão diferente dos detergentes e amaciadores que hoje usamos. Garanto que o cheirinho bom durava, durava, durava.

As casas agora já não têm tanques e também já quase ninguém lava roupa à mão, até porque nos dias que correm não é seguro. Vai tudo a 60º pelo menos, leva com o detergente e amaciador com cheiro a condizer.

De uma coisa tenho a certeza, quando puder mandar construir a minha casa nova, vou fazer questão que tenha um tanque. Mais que não seja para o meu gato preto e a mini gata descansarem ao fresco.

Até.

Mas o que é que eu fiz?

AlFernandes, 27.03.20

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Esta é a focinheira do meu cão quando faz asneira e é repreendido.

Já faz alguns meses mas recordo-me que tirei esta foto quando estava a falar com ele sobre o que tinha feito. E foi o quê? Nada mais, nada menos, que uma das suas asneiras preferidas assim que tem oportunidade. E a oportunidade foi a porta da casa de banho aberta. Escusado será dizer que, como qualquer cão que se preze, abriu o balde do lixo, mas foi apanhado antes da grande porcaria. Decidi então ter uma conversa de amiga para amigo, e embora não fale a sua língua (canês), sei que ele compreendeu o que disse. Mas do compreender ao não voltar a fazer vai uma grande distância.

Quem vive com animais de estimação sabe que é assim. Por exemplo, o meu gato preto adora ir para a banheira e deixar tudo patinhado e a mini gata adora afiar as unhas em cadeiras. Cada um com a sua preferência.

Bem, pelo menos o peixe não consegue (nem pode) sair do aquário. Mas também que asneiras pode um peixe fazer?

Até.

 

As pegadas

AlFernandes, 26.03.20

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As pegadas deixadas na areia quando a maré está vazia, desaparecem quando esta enche. Foi sempre assim. Seja a pegada de quem for. De um humano ou de um animal. E por muito que marquemos os nossos pés na areia molhada, com toda a força que conseguirmos, saltando por exemplo, as marcas desaparecem sempre.

Estas pegadas foram só para ilustrar. Na realidade as pegadas de que queria falar são outras: as pegadas que ficam no coração. Essas nunca desaparecem. E eu tenho tantas. Uma é tua, a outra é dela, outra é dele e tantas outras de tanta gente que se cruzou comigo ao longo destes anos. Há pegadas que ficaram mais marcadas que outras, que por serem subtis quase que não as vejo. E há ainda algumas que desaparecem, porque a maré do nosso coração é o esquecimento.

Há outras pegadas que já não podem ser deixadas. Essas acompanham a minha memória.

Tenho imensas pegadas que teimam em não desaparecer. São aquelas que gostava de esquecer mas não consigo. Fica sempre alguma marca, nem que seja de um dedo mínimo.

Felizmente algumas das mais marcadas são aquelas que continuam a deixar rasto, acompanhando-me conforme a vida vai andando.

E por falar em andar vou andando.

Até.

 

O buraquinho

AlFernandes, 25.03.20

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Não é necessário ser-se  avestruz para ter vontade de por a cabeça num buraco. Como a minha é pequenina, basta um buraquinho...e dava-me tanto jeito hoje!

A minha garganta tem vontade de gritar mas não posso, para já. Como alternativa gostava de por a cabeça num buraco para não ver nem ouvir certas coisas. Mas como diria a minha mãe, uma mulher honrrada só ouve o que quer. Mas, nos dias de hoje, mesmo com a distância aconselhada, ouve-se com cada uma...não vou entrar em pormenores mas levanto um pouco o véu. A conversa entre o casal, que teimava em aproximar-se de mim enquanto eu escolhia laranjas, envolvia tomates, bananas, alfaces e bróculos. Acho que compreenderam a ligação entre os dois primeiros alimentos. Mas os legumes...é preciso realmente muita imaginação que deixo ao vosso critério.

A sério...se eu tivesse um buraquinho para por a cabeça...

Até.

 

 

 

Flor de papel

AlFernandes, 24.03.20

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Hoje era para não escrever nada. Mas como tenho que ocupar a mente...começei a passear pelas fotos que fui tirando nos passeios de campo que dou com o marido e o cão. Bem, por mim eu levava o gato e a gata mas, o gato preto lindo fugia e a mini gata desmaiava de emoção. Emocionada fiquei quando me apercebi da quantidade de fotos fofas que tenho. Esta é uma delas, a flor de papel. Ainda não procurei o nome científico porque acho que o marido arranjou um nome bonito, que ilustra a fragilidade desta flor.

Mas no dia em que esta foto foi tirada foi um Deus nos acuda. O cão, porcalhão e louco por água, entrou aos saltos numa poça. Escusado será dizer que não teve tempo de secar, e as proteções extra do banco de trás do carro ficaram da cor da água da poça (castanhas), e o cão, porcalhão, deixou de ser branco e preto para ficar castanho e preto. Prefiro a primeira versão mas ao olhar para o focinho do cão percebi que era feliz assim. E como contra factos não há argumentos, esta foi uma situação que se repetiu muitas vezes. E ainda bem.

Acho que tenho um dos cães mais felizes do mundo. Sou uma dona feliz.

Até.

Cheira-me a.....

AlFernandes, 23.03.20

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Cheira-me... Há já vários dias que o meu cão não me cheira da mesma maneira. É fácil compreender porquê. Falta-lhe o cheiro do meu amigo Tomy que todas as tardes passava pelo escritório com a dona para me cumprimentar. Pode ser que, quando eu voltar a trabalhar, já no último dia deste mês, possa voltar a ver o meu amigo cão e a simpatiquissíma da sua dona. Mantendo claro as distâncias socialmente necessárias.

Vai  uma festa de faz de conta, para receber uma lambidela de faz de conta também?

Até.

A surpresa feliz

AlFernandes, 22.03.20

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Teimo em continuar a escrever, até desistir de ser teimosa.

Antes de começar esta coisa do isolamento social eu acho que já o praticava parcialmente. Digo isto porque não sou fácil de aturar, e ao dividir a minha vida entre duas cidades perdi muita gente, que já não encontro. Algumas pessoas porque foram estudar para longe daqui, não voltaram, outras imigraram e outras estiveram-se nas tintas. O que é certo é que nunca mais as vi. Uma coisa é certa, já lá vai o tempo em que gostava de estar no meio de muita gente. Aprendi que conhecer muita gente é bom. Ter amigos também. De preferência que se contem com apenas os dedos de uma mão. São os melhores.

Hoje recebi um telefonema surpresa que adorei. Uma amiga, amiga, de infância, a quem eu por vezes telefonava. Foi muito confortante ouvir a sua voz, recordar as férias na Zambujeira quando éramos pequenas, a primeira vez que bebemos espumante...

Não nos vemos há muito, mas ficou a promessa: Assim que for possível vamo-nos encontrar.

Vou beber café. Até.

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