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bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

Maria Honrada

AlFernandes, 25.04.20

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"Maria Honrada" é uma expressão que a minha mãe sempre utilizou para descrever, por exemplo o caratér de uma pessoa (e com algum humor). Exemplifico: equivalente a "Maria Vai Com Todos".

A pose em que o meu Rikiki se encontra nesta foto, pode ou não ilustrar o que disse antes.

Se imaginarmos que em vez de um cão é uma pessoa, com uma pose destas poderá ser uma Maria/o Honrada/o.

Mas como se trata de um cão, garanto-vos que este foi um momento de mimo extremo que captei.

Agora vou tomar um cafézinho dos meus e dar mais uns mimos aos habitantes deste réz do chão ao contrário.

Até!

Quem quer umas destas?

AlFernandes, 24.04.20

Esta foto foi tirada o ano passado na pastelaria Espanha, aqui nesta cidade fantástica que é Olhão. A quem pertencem estas "enfias"? Não connheço o pesonagem mas devo dizer que deve ser daquelas pessoas que se estão nas tintas para a moda. E mais, pode até nem ser pobre. Apenas acha que se sente confortavél com algo que fez para usar. Digo isto porque sempre usei tudo quase, quase até ao fim. E sempre gostei de improvisar. Quando parecia estar no fim, um pequeno toque "et voilá".

Digamos que este estilo poderá ser único pela originalidade mas, daqui a talvez três anos não seja tão disparatado até porque a economia diz: "poupa...recicla..." e o planeta também.

Hoje a minha mãe-  perguntou porque não se viam aviões. Porque não podia sair de casa?

Quando pudermos todos usar este tipo de "enfias", significa que estamos bem.

Até.

E agora? Quem Olha para quem?

AlFernandes, 17.04.20

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Sim. E agora? Agora o quê? Um cão, uma gata...quem olha para o Carlos e quem olha para a Ana Luísa? Ah! Depende de quem tira a foto! Ou: ah! depende se estava a dizer o nome do Rikiki ou da DD...Pois quem tirou a foto fui eu. Chamei pelo Rikiki, até lhe disse: " bubuia, olha!" (como a Lálinha me disse que funcionava). Mas quem olhou foi a Miss D. O Rikiki só queria Carlos e, até deveria achar que o seu lugar de reflexão estava invadido pela Miss D.

Sim. Acho que o Rikiki vê naquele "buraco" debaixo do lava-loiça um sítio de reflexão, porque o olhar dele quando lá está parece longe..a menos que se diga: "vamos?".

Para a Miss D. tanto lhe dá. O gato da casa, o Ramone (Rá), foi  esterelizado e a Miss D. não se sente realizada. De quinze em quinze dias, mais ou menos, a D. começa com uns miados que nem parecem saídos da boca daquela mini gata. É impressionante.

Tenho mesmo de consultar um médico veterinário para ver como contornar a situação.

Não falei do covid19!

Limpem as patinhas dos vossos amigos de quatro patas quando voltarem do passeio da rua. Pode ser com toalhitas de bebé. E não se esqueçam de limpar entre as almofadas. Já agora façam o mesmo com as vossas "patas".

Agora vou digerir o bacalhau com natas caseiro. Não. Não foi a minha mãe. Fui eu. Ela " só boicotou" o café, quando guardou não sei onde a cafeira.

Até!

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As aparências iludem

AlFernandes, 06.04.20

Pois é. Sempre ouvi dizer que as aparências iludem. E hoje não sei bem como começar. Mas lá vai.

A minha filha, como diz a minha mãe, é um pouco excêntrica, tanto na forma como se veste tanto na forma como apresenta o cabelo. Cortes e cores diferentes do normal misturados com piercings no septo nasal e na parte de cima do nariz entre os olhos. Um belo dia estava ela na marina de Faro com uma amiga e um pouco afastados estavam três adolescentes que deviam ter doze ou treze anos. Dois deles exigiram ao "amigo" que lhes desse o telemóvel. Como o miúdo recusou, tiraram-lho. A minha filha quando se apercebeu o que se passava, foi a caminho deles e exigiu que o devolvessem , o que se verificou. Os putos ficaram assustados e devolveram o telemóvel ao amigo com medo que ela fizesse algo, tipo empurrar para a àgua. E devolveram-no dizendo que gostavam ter uma irmã que fizesse o mesmo por eles. E foram-se embora. Boa filhota!

Há algum tempo atrás trabalhei numa loja de chineses situada na avenida da nossa linda cidade de Olhão. Não era fácil porque os patrões eram, e ainda devem ser muito rigorosos. A loja em questão situa-se na avenida da República ao lado do café Espanha. Uma tarde, quase noite, faltavam cinco minutos para a hora de fecho, que era às oito da noite, e eis que entra na loja uma mãe acompanhada pelo filho. Estávamos a preparar o fecho da loja mas eles entraram e começaram a vaguear pela loja à procura não sei de quê. O puto e a mãe, bem vestidos, de acordo com o socialmente  aceitável. As oito aproximavam-se e nós queríamos era ir para casa. Então delicadamente fui oferecer ajuda para encontrar o que precisavam. A resposta do filho foi que demorariam o tempo que quisessem para compar o que quisessem, com uma arrogância terrível. Não resisti, e perguntei à mãe quem o tinha educado. A resposta foi que tinha sido ela, ao que repliquei que tinha feito "um belo trabalho". A sra. levou a mal, foi-se embora entre ameaças. O que é certo é que fechámos a loja, e do outro lado da avenida ficaram à espera que eu saísse para me darem uma "coça". A sra. fazia o dobro de mim em largura e fiquei à espera que disistissem para poder ir para casa. Sim, porque se ela se aproximasse o suficiente para me apanhar e se sentar em cima, eu não ficaria nada bem. Felizmente desistiram e eu lá saí para ir para casa.

O estigma da apresentação diferente ainda continua na nossa sociedade. Mas é claramente preferível apresentarmo-nos como somos e termos um bom coração e boa educação, do que apresentarmo-nos como a sociedade quer, e depois haver a demonstração de uma educação carente de bons princípios.

Resumindo: as aparência iludem. O que conta é sermos genuínos e termos por base uma edução baseada no respeito pelo próximo, honestidade e solidariedade. Não me quero gabar mas a minha filhota é o máximo. Tomara muitos pais conseguirem isso.

Até.

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A aldeia

AlFernandes, 05.04.20

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Num dos nossos passeios pelo campo, andando aparentemente no meio do nada, fomos encontrar uma aldeia abandonada no interior do sotavento algarvio. Tudo leva a crer que tenha sido abandonada. Porquê? Não sabemos. Talvez porque tenha ficado longe de tudo o que o séc.XX proporcionava. Ali não temos rede nos telemoveis, porque a aldeia está situada num vale.

A aldeia teria uma habitação principal com outras casinhas à volta. Conseguimos imaginar onde guardavam os animais e os utensílios para trabalhar a terra, onde eram feitas as festas, e quais as áreas que estariam destinadas às diversas sementeiras.

Acredito que tenha custado aos mais antigos deixar aquele lugar. E acredito porque o que senti ao entrar no que restava da aldeia foram boas energias. As pessoas que a habitavam deviam ter sido muito felizes, apesar de estarem longe, muito longe de outas aldeias.

Se pudesse, era ali que gostava de ficar. Longe de tudo aquilo que nos atormenta neste séc. XXI. Só com a natureza. Já me imagino a abraçar uma árvore diferente todos os dias, a acordar com o chilrear dos pássaros, a comer o que semeasse. Mas não posso. Em vez disso, acordo a ouvir os pássaros engaiolados do meu vizinho e tenho de ir ao supermercado ou merceeria comprar o que necessito no dia a dia, isto para não falar das enfermidades que nos assolam e assombram.

Se pudesse, era mesmo ali que queria ficar.

Até.

O menir

AlFernandes, 04.04.20

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Fui pesquisar sobre menires e fiquei a saber que para erigir seus monumentos, os homens da pré-história da época provavelmente começaram por levantar uma coluna, em honra de um deus ou de um acontecimento importante, embora a maioria dos historiadores relacionem o seu aparecimento isolado com o culto da fecundidade, marcos territoriais ou orientadores de locais.

Nesta altura estava loira (coisa que não volto a repetir) e eu e o Carlos passeávamos pelo nosso algarve sempre que tínhamos oportunidade. Por vezes nem dormíamos em casa. Não, nunca ficámos em hoteis nem comemos em restaurantes. O mais próximo de um restaurante foi um frango "assado" no microondas na praia do Burgau (coisa que não voltaremos a repetir). A maioria das vezes andávamos por sítios onde não se encontrava ninguém. Foi o caso do dia em que encontámos este menir no barlavento. Ficámos maravilhados. Pessoalmente gosto de pensar neste menir como a representação do culto à fecundidade. Este estava sózinho e eu achei que seria boa ideia dar-lhe um abraço e, claro que o Carlos não perdeu a oportunidade de tirar uma foto para recordarmos mais tarde.

Devo dizer que abraçar uma "pedra" é bem diferente de abraçar uma árvore, coisa que faço sempre que posso. Mas o que senti ao abraçar este menir foi como se estivesse a fazer uma viagem no tempo.

Será que os pré-históricos também mostravam a sua admiração pelos menires da mesma forma?

Não sei, mas na altura estava loira.

Até.

Ramboia

AlFernandes, 03.04.20

Ramboia  no dicionário português significa pândega, farra, galhofa, vida airada. Para mim significa isso tudo mas num cão. Passo a explicar. O Ramboia era o cão de caça dos meus vizinhos do primeiro andar. O sr. José Afonso tinha vários cães de caça, mas este era o meu preferido. Era um cão grande, imponente e pachorrento. Para mim, bem pequena na altura, era quase um elefante. Deixava-me fazer tudo. O ramboia era um grande amigo. Fazia dele burrito, boneca, etc. Como cão, não tinha autorização para entrar em casa mas também não precisava. Tinha um terraço enorme, e depois um armazém por baixo do tamanho dos apartamentos mais o quintal. Era enorme mesmo. O sr. José Afonso era construtor civil e o armazém estava cheio de material. Carrinhos de mão, imensos sacos de material, tijolos, quase tudo usado na construção. A D. Teresa, sua esposa, deixava-me à vontade e, ainda me lembro da primeira vez que vi uma aranha daquelas que chamamos de patas de cavalo. Estava com o Ramboia e apanhei um susto enorme. Ele defendeu-me como pode ladrando para a aranha. Foi muito giro.

A Lalinha, filha do casal e com idade de ser uma mana um pouco mais velha que eu, passava também muito tempo comigo. Recordo-me que o armazém tinha uma divisão que ficava abaixo do nível do chão, uma cave. Era aí que guardavam garrafas de vinho e armazenavam algumas coisas. Um dia a Lalinha mostrou-me algo de que nunca me esqueci. Os seus brinquedos de casas de bonecas. Era tudo tão bonito, tão perfeito, e a mobilia completa fez as minhas delícias. Foi um momento fantástico. Agora que falo na Lalinha...tenho momentos muito bons com ela. Um dia destes partilho convosco. Hoje fico-me pelo Ramboia, cão maravilha, cãopanheiro de muitas brincadeiras.

Até.

Pândega, farra, galhofa; boémia, estroinice, vida airada.

"rambóia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/ramb%C3%B3ia [consultado em 03-04-2020].

Amizade , amor e tolerância

AlFernandes, 02.04.20

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O que será pior? Perder uma pessoa quando ela morre ou perder em vida?

Os meus ascendentes já foram todos, menos a minha mãe que sendo a mais velha de cinco irmãos continua viva. Já perdi muita gente por terem morrido e digo que cada vez que acontece parece ser a primeira. Mas neste caso sabemos que já não é possível voltarmos a estar fisicamente com elas e acabamos por ter de aceitar e viver com as memórias.

Agora perder alguém em vida é muito complicado. Na minha adolescência fiz uma amizade que pensei que seria para sempre. Fizemos imensas coisas juntas, algumas muito loucas. Depois, ela casou-se e foi para fora do país mas, mesmo assim, mantivemos o contacto e, quando regressou, parecia que nunca se tinha ido embora. Era uma amizade aparentemente sólida. Eu não tinha problema algum em partilhar fosse o que fosse. Mas o facto da cara metade não ser tolerante e viver da ganância, estragou uma amizade de trinta e tal anos. Eu fiquei de rastos e ainda tentei uma aproximação. Só aí me apercebi o que tinha acontecido. Uma "lavagem cerebral" levou a melhor. Não consegui digerir o que aconteceu. Não há um dia que não me lembre dela. E, nestes tempos que correm, por motivos de saúde, é uma pessoa de alto risco. Mesmo que tudo ficasse bem entre nós, não poderiamos estar juntas. Apenas falar através destas tecnologias fantásticas do século XXI. Já passaram quase dois anos desde que a não tolerância acabou com a amizade. Ás vezes penso que sou uma tonta, que devia esquecer, seguir em frente. Mas as pegadas que marcou na minha vida são daquelas que teimam em não desaparecer. Por isso não vou esquecer. Não vou esquecer os momentos fantásticos que passamos juntas. Mas quero muito esquecer o que nos separou.

O que me tem ajudado é o meu companheiro. Deve ser das pessoas mais assertivas do mundo. Embora por vezes fique furiosa sei que entre nós existe, para além de amor, uma amizade sólida. Por vezes acontecem uns tremores ameaçadores, como a situação que agora vivemos e que obriga a manter um distânciamento, porque ambos trabalhamos fora de casa.

Acredito que quando "isto" passar e se conseguirmos ser tolerantes, saíremos mais fortes, mais amigos e com mais amor. Para mim é uma prova de fogo. Não pretendo perder mais ninguém em vida.

Até.

A varinha mágica

AlFernandes, 01.04.20

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Quem não tem uma varinha mágica na cozinha? Eu! E garanto que não a tenho guardada noutra divisão da casa. Convenhamos que a varinha mágica é importantíssima para quase todas as pessoas, principalmente no que toca a fazer sopas. Pois é. A minha avariou há já uns anos, e por força de algumas circunstâncias não comprei mais nenhuma. Depois quando as circunstâncias mudaram já não quis comprar. E sabem que mais? Não preciso. É isso mesmo. Na minha cozinha existe uma "ferramenta" manual chamada esmagador de batatas, usado para fazer puré de batata caseiro. E é com esse esmagador que "trituro" a base das sopas. Funciona muito bem, para além de conferir à sopa um sabor diferente que em tudo faz recordar as sopas das avós.

Até hoje, este era um segredo bem guardado mas como gosto de partilhar contei-vos. Agora que muitos(as) de vós estão em casa  e com mais algum tempo disponivel, porque não experimentam? Podem não conseguir, por exemplo, um creme de cenoura perfeito, mas de certeza conseguem um com mais sabor.

Agora que estou feliz por esta partilha, espero que façam as melhores sopas de sempre. Isto claro, se tiverem paciência...

Até.