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bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

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O elefante branco

AlFernandes, 30.03.20

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Ai o elefante branco. O meu irmão fazia coleção de elefantes. Acho que nunca chegou a contar quantos tinha, mas certamente umas valentes centenas. Ele adorava elefantes pelo que para ele representavam. Certamente um animal forte, intiligente, pachorrento e com paciência, digno de ser o rei da selva, entre outras qualiadades que aqui não vou enumerar.

Este bocadinho de vida que hoje vou contar remonta ao verão de 1975, tinha eu quase cinco anos e estava em férias do colégio. O quarto do meu irmão sempre me fascinou. Fosse pelos livros, discos, a máquina de escrever que eu adorava, e o quarto em si. Era bem maior que o meu e estava cheio de elefantes por todo o lado. Já não me recordo quem lhe ofereceu um elefante branco, de loiça, com a tromba para cima e um aspeto imponente. Era o preferido dele e meu também. Sempre que me conseguia esgueirar para o seu quarto lá ia eu fazer "festas" no elefante. Até que houve um dia que...caiu e partiu-se.

Na casa dos meus pais há um cantinho entre a casa de banho de serviço da cozinha e a dispensa. Esse cantinho tinha sido designado pelo cantinho dos castigos. Nunca tinha sido utilizado até ao fatídico dia em que era uma vez um elefante branco especial. Mas não pensem que foi a minha mãe, pai ou mano a mandar-me para lá. Não. Fui sózinha porque achei que tinha feito uma grande asneira.  A minha mãe quando descobriu o que acontecera e me viu no cantinho nada me disse. Quando o mano chegou a casa...não teve coragem de se zangar, apesar da situação. Chamou-me à atenção para o que tinha feito, com uma calma digna de um elefante, e retirou-me do cantinho do castigo. Esse cantinho nunca mais foi utilizado (felizmente), e eu nunca mais mexi nos elefantes do mano. Acho que ainda hoje, quando entro numa loja e vejo elefantes à venda, só olho, nem lhes toco.

Ás vezes fecho os olhos e consigo ter a imagem do quarto do mano cheio de elefantes, todo desarrumado com papéis por todo o lado.

Até.

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