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bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

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Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

Amizade , amor e tolerância

AlFernandes, 02.04.20

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O que será pior? Perder uma pessoa quando ela morre ou perder em vida?

Os meus ascendentes já foram todos, menos a minha mãe que sendo a mais velha de cinco irmãos continua viva. Já perdi muita gente por terem morrido e digo que cada vez que acontece parece ser a primeira. Mas neste caso sabemos que já não é possível voltarmos a estar fisicamente com elas e acabamos por ter de aceitar e viver com as memórias.

Agora perder alguém em vida é muito complicado. Na minha adolescência fiz uma amizade que pensei que seria para sempre. Fizemos imensas coisas juntas, algumas muito loucas. Depois, ela casou-se e foi para fora do país mas, mesmo assim, mantivemos o contacto e, quando regressou, parecia que nunca se tinha ido embora. Era uma amizade aparentemente sólida. Eu não tinha problema algum em partilhar fosse o que fosse. Mas o facto da cara metade não ser tolerante e viver da ganância, estragou uma amizade de trinta e tal anos. Eu fiquei de rastos e ainda tentei uma aproximação. Só aí me apercebi o que tinha acontecido. Uma "lavagem cerebral" levou a melhor. Não consegui digerir o que aconteceu. Não há um dia que não me lembre dela. E, nestes tempos que correm, por motivos de saúde, é uma pessoa de alto risco. Mesmo que tudo ficasse bem entre nós, não poderiamos estar juntas. Apenas falar através destas tecnologias fantásticas do século XXI. Já passaram quase dois anos desde que a não tolerância acabou com a amizade. Ás vezes penso que sou uma tonta, que devia esquecer, seguir em frente. Mas as pegadas que marcou na minha vida são daquelas que teimam em não desaparecer. Por isso não vou esquecer. Não vou esquecer os momentos fantásticos que passamos juntas. Mas quero muito esquecer o que nos separou.

O que me tem ajudado é o meu companheiro. Deve ser das pessoas mais assertivas do mundo. Embora por vezes fique furiosa sei que entre nós existe, para além de amor, uma amizade sólida. Por vezes acontecem uns tremores ameaçadores, como a situação que agora vivemos e que obriga a manter um distânciamento, porque ambos trabalhamos fora de casa.

Acredito que quando "isto" passar e se conseguirmos ser tolerantes, saíremos mais fortes, mais amigos e com mais amor. Para mim é uma prova de fogo. Não pretendo perder mais ninguém em vida.

Até.

O tanque

AlFernandes, 28.03.20

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Tenho saudades de lavar roupa à mão num tanque. Este que está na foto é uma versão em ponto pequeno do tanque que a minha mãe tem em casa. Era o tanque com que eu brincava quando era pequena. A minha mãe lavava no grande e eu no pequeno. E muita roupa era lá lavada. Apesar de desde 1970 que a minha mãe tem máquina de lavar roupa, tenho dúvidas sobre quem mais lavava. Se a mãe ou a máquina. Pensando bem, só as peças grandes é que iam à máquina. A minha bata do colégio era lavada à mão e estava sempre branquinha, branquinha. As nódoas das toalhas, camisas do pai e etc, desapareciam nas mãos da mãe como que por magia. Recordo-me que a roupa com nódoas ficava por vezes ao sol, com sabão e só depois era lavada...e o cheiro! Tão diferente dos detergentes e amaciadores que hoje usamos. Garanto que o cheirinho bom durava, durava, durava.

As casas agora já não têm tanques e também já quase ninguém lava roupa à mão, até porque nos dias que correm não é seguro. Vai tudo a 60º pelo menos, leva com o detergente e amaciador com cheiro a condizer.

De uma coisa tenho a certeza, quando puder mandar construir a minha casa nova, vou fazer questão que tenha um tanque. Mais que não seja para o meu gato preto e a mini gata descansarem ao fresco.

Até.