Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

bocadinhosdevida

Neste espaço escrevo. Escrevo apenas. Escrevo porque gosto desde que me conheço. Quero entreter com uma linguagem simples, partilhando algumas situações do meu dia a dia ou recordações. O que for.

A varinha mágica

AlFernandes, 01.04.20

images.jpg

Quem não tem uma varinha mágica na cozinha? Eu! E garanto que não a tenho guardada noutra divisão da casa. Convenhamos que a varinha mágica é importantíssima para quase todas as pessoas, principalmente no que toca a fazer sopas. Pois é. A minha avariou há já uns anos, e por força de algumas circunstâncias não comprei mais nenhuma. Depois quando as circunstâncias mudaram já não quis comprar. E sabem que mais? Não preciso. É isso mesmo. Na minha cozinha existe uma "ferramenta" manual chamada esmagador de batatas, usado para fazer puré de batata caseiro. E é com esse esmagador que "trituro" a base das sopas. Funciona muito bem, para além de conferir à sopa um sabor diferente que em tudo faz recordar as sopas das avós.

Até hoje, este era um segredo bem guardado mas como gosto de partilhar contei-vos. Agora que muitos(as) de vós estão em casa  e com mais algum tempo disponivel, porque não experimentam? Podem não conseguir, por exemplo, um creme de cenoura perfeito, mas de certeza conseguem um com mais sabor.

Agora que estou feliz por esta partilha, espero que façam as melhores sopas de sempre. Isto claro, se tiverem paciência...

Até.

 

O elefante branco

AlFernandes, 30.03.20

índice.jpg

Ai o elefante branco. O meu irmão fazia coleção de elefantes. Acho que nunca chegou a contar quantos tinha, mas certamente umas valentes centenas. Ele adorava elefantes pelo que para ele representavam. Certamente um animal forte, intiligente, pachorrento e com paciência, digno de ser o rei da selva, entre outras qualiadades que aqui não vou enumerar.

Este bocadinho de vida que hoje vou contar remonta ao verão de 1975, tinha eu quase cinco anos e estava em férias do colégio. O quarto do meu irmão sempre me fascinou. Fosse pelos livros, discos, a máquina de escrever que eu adorava, e o quarto em si. Era bem maior que o meu e estava cheio de elefantes por todo o lado. Já não me recordo quem lhe ofereceu um elefante branco, de loiça, com a tromba para cima e um aspeto imponente. Era o preferido dele e meu também. Sempre que me conseguia esgueirar para o seu quarto lá ia eu fazer "festas" no elefante. Até que houve um dia que...caiu e partiu-se.

Na casa dos meus pais há um cantinho entre a casa de banho de serviço da cozinha e a dispensa. Esse cantinho tinha sido designado pelo cantinho dos castigos. Nunca tinha sido utilizado até ao fatídico dia em que era uma vez um elefante branco especial. Mas não pensem que foi a minha mãe, pai ou mano a mandar-me para lá. Não. Fui sózinha porque achei que tinha feito uma grande asneira.  A minha mãe quando descobriu o que acontecera e me viu no cantinho nada me disse. Quando o mano chegou a casa...não teve coragem de se zangar, apesar da situação. Chamou-me à atenção para o que tinha feito, com uma calma digna de um elefante, e retirou-me do cantinho do castigo. Esse cantinho nunca mais foi utilizado (felizmente), e eu nunca mais mexi nos elefantes do mano. Acho que ainda hoje, quando entro numa loja e vejo elefantes à venda, só olho, nem lhes toco.

Ás vezes fecho os olhos e consigo ter a imagem do quarto do mano cheio de elefantes, todo desarrumado com papéis por todo o lado.

Até.